Análise editorial
Por que importa
O center que só recebe quem já tem o rótulo perde a maior parte da demanda. Inomata e colaboradores (2020): 72,7% dos sintomáticos num aplicativo japonês estavam sem diagnóstico. Yeo e colaboradores (2014): 47,5% somem de uma clínica dedicada em dois anos. O cartaz de Yu e colaboradores (2011), US$ 55,4 bilhões, é carga societal americana em dólar de 2008. O salto é produtividade, não o frasco. Não é o custo do paciente brasileiro. Anatomia aqui é funil: quem entra, quem some, o que se mede, a quem o sistema chega.
A edição fecha em implementação. Os furos são de entrada — Inomata — e de retenção — Yeo. O indicador que cabe é lost to follow-up em 12–24 meses.
Prevalências não se somam. Farrand: 6,8% diagnosticada nos Estados Unidos. Chen (2024): 13% no Brasil, número que assenta em Castro (2018), 12,8%, n = 3.107. Pereira (2025): 38,1% urbano versus 20% rural em ≥ 40 anos. Na clínica de oftalmologia, 83%. Yu é recitado. McDonald: o indireto domina. Schiffman é utility, não QALY brasileiro.
Nau: out-of-pocket mediano US$ 500; 22% gastam ≥ 1 h/dia; 48% têm o clínico como fonte primária. Scheffer (2025) é oferta e faco — não é paper de DED. Não há ensaio de implementação. Não há custo de doença brasileiro.
Análise editorial
Método e recorte
Este artigo é uma revisão narrativa. Não constitui diretriz nacional nem prescrição individual.
As referências foram conferidas no Crossref em 15 de agosto de 2026. Autor e título precisaram bater com o registro persistente antes de entrar na lista. Dezessete de dezessete DOIs resolvidos.
Data de corte da busca: 15 de agosto de 2026.
Evidência
Evidência
Inomata e colaboradores (2020), 4.454 usuários, 66,7% mulheres, média 27,9 anos. Entre os sintomáticos, 899 (27,3%) tinham diagnóstico e 2.395 (72,7%) não.
Yeo e colaboradores (2014), Singapura, 505 pacientes: lost to follow-up 47,5%. Homem, não-chinês e < 30 anos somem mais. No inquérito, 77,9% responderam: 47% estabilizou, 25% por razão social, 28% por falha percebida, 1,1% por falha de manejo.
Farrand e colaboradores (2017), NHWS, cerca de 75.000 adultos: 6,8% diagnosticados, cerca de 16,4 milhões. Mulher 8,8 versus 4,5. De 18–34 anos, 2,7%; ≥ 75 anos, 18,6% (OR 2,00 e 4,95). Seguro OR 2,12. Financiamento Shire.
Chen e colaboradores (2024), 14 estudos, 11.594 participantes, busca até 16 de agosto de 2021. Castro 12,8%. México 41%. Indoor 70% (I² 82%); estudante 71% (I² 92%); clínica 83% (I² 88%). DGM 23–68%. Pereira e colaboradores (2025), n = 600: urbano 38,1% (n = 480) e rural 20% (n = 120). Marculino e colaboradores (2022), São Paulo, 24,4%. Não somar.
Schiffman e colaboradores (2003), n = 56: time trade-off 0,78 / 0,72 versus angina 0,71; ρ = 0,32. Financiamento Allergan.
Greco e colaboradores (2021), DREAM, n = 535: 52% empregados; absenteísmo 2%; presenteísmo 18%; global 19,6%; atividade 24,5%. Cada +10 no OSDI: +4,3% / +4,8%; no longitudinal, +2,0 / +3,1.
Uchino e colaboradores (2014), Osaka, 553: 3,56% → 4,06% → 4,82%. US$ 6.160 de produção / 1.178 de salário. A escala é WLQ, não WPAI.
Yu e colaboradores (2011), 2.171, dólar de 2008: pagador 783 (757–809); sistema 3,84 bilhões; societal 11.302 por paciente / 55,4 bilhões.
McDonald e colaboradores (2016), 8 países, 12 estudos de custo e 20 de HRQoL. A busca fecha em 2013.
Waduthantri e colaboradores (2012), SNEC: 54.052 / 132.758 visitas; US$ 1,51–1,52 milhão; 22,11–23,59 por episódio; 99,2% farmácia; 79,3% lágrima.
Scheffer e colaboradores (2025): 16.784 oftalmologistas; 8,96 / 100 mil. Municípios > 500 mil: 18,75; < 50 mil: < 1. DF 19,18; Maranhão 4,22. Catarata: Sudeste 1.012,61; Norte 435. SUS 736,30; privado 1.276,79.
Nau e colaboradores (2024), 639, 86% mulheres, 55 ± 14 anos. Out-of-pocket mediano 500 (IQR 200–1.320; n = 506). Tempo: 55% de 5–20 min; 22% ≥ 1 h. Oftalmologista 67% do cuidado; 48% como fonte.
Cui e colaboradores (2023), Wilmer, 465. Prescrição pré-visita: 61,8% em pacientes brancos versus 30,6% em negros, 43,5% em asiáticos e 43,9% em hispânicos. A coloração pior no baseline some no final.
Wolffsohn e colaboradores (2021), 1.139 clínicos, 51 países: conselho 87%; lágrima sem conservante em baixa/alta gravidade 85 / 80; higiene 81%.
Aplicação
Prática
A jornada do center é entrada mais retenção. O KPI é lost to follow-up em 12–24 meses.
Indicadores não fundem Farrand, Castro, Pereira, Marculino e a clínica de 83%. OSDI é proxy. Utility é analogia.
Investimento separa direto — Yu 783, Waduthantri cerca de 23 — de societal. Sem conversão de dólar. Acesso lê Scheffer, Cui, Nau e o OR 2,12 de Farrand. Não recapitulamos o menu de Wolffsohn como algoritmo nem como aparelho.
- Entrada e retenção. 72,7% sem rótulo. 47,5% LTFU. KPI = quem some.
- Não fundir Farrand, Castro/Chen, Pereira, Marculino e a clínica de 83%. São perguntas diferentes.
- OSDI acompanha o trabalho. Signo separa pessoas, não a mudança intra-sujeito.
- US$ 55,4 bilhões é societal americano de 2008. Não é a conta do paciente daqui.
- Acesso: oferta, subtratamento na chegada, tempo e bolso. Não só CRM.
- Menu por gravidade e país. Sem RCT de implementação. Sem microcusteio brasileiro.
Limitações
Limitações
Yu e Waduthantri estão em dólar de 2008 e não são brasileiros. McDonald fecha em 2013. Schiffman é n = 56. Uchino é Japão e WLQ. Greco é DREAM. Farrand é Shire. Chen tem I² alto e assenta em Castro 2018. Pereira e Marculino ficam fora da revisão sistemática. Inomata é aplicativo, média 28 anos. Yeo é um centro. Wolffsohn é inquérito. Scheffer não é DED. Cui é Wilmer. Nau é newsletter. Não há ensaio de implementação. Não há custo de doença brasileiro.
- Sem microcusteio brasileiro. Sem conversão de dólar velho.
- Sem ensaio de implementação com desfecho de sintoma, retenção ou custo.
- Sem fundir diagnosticado, populacional e de clínica.
- Scheffer é oferta e faco. Não é epidemiologia de DED.
- LTFU de Yeo não foi replicado no Brasil.
- Sem catálogo de aparelho. Sem recap de algoritmo.
Fontes
Referências
- Yu J, Asche CV, Fairchild CJ. The Economic Burden of Dry Eye Disease in the United States: A Decision Tree Analysis. Cornea. 2011;30(4):379-387. DOI 10.1097/ICO.0b013e3181f7f363 — Yu J, Asche CV, Fairchild CJ. The Economic Burden of Dry Eye Disease in the United States: A Decision Tree Analysis. Cornea. 2011;30(4):379-387.
- McDonald M, Patel DA, Keith MS, et al. Economic and Humanistic Burden of Dry Eye Disease in Europe, North America, and Asia: A Systematic Literature Review. Ocul Surf. 2016;14(2):144-167. DOI 10.1016/j.jtos.2015.11.002 — McDonald M, Patel DA, Keith MS, et al. Economic and Humanistic Burden of Dry Eye Disease in Europe, North America, and Asia: A Systematic Literature Review. Ocul Surf. 2016;14(2):144-167.
- Schiffman RM, Walt JG, Jacobsen G, et al. Utility assessment among patients with dry eye disease. Ophthalmology. 2003;110(7):1412-1419. DOI 10.1016/S0161-6420(03)00462-7 — Schiffman RM, Walt JG, Jacobsen G, et al. Utility assessment among patients with dry eye disease. Ophthalmology. 2003;110(7):1412-1419.
- Uchino M, Uchino Y, Dogru M, et al. Dry Eye Disease and Work Productivity Loss in Visual Display Users: The Osaka Study. Am J Ophthalmol. 2014;157(2):294-300. DOI 10.1016/j.ajo.2013.10.014 — Uchino M, Uchino Y, Dogru M, et al. Dry Eye Disease and Work Productivity Loss in Visual Display Users: The Osaka Study. Am J Ophthalmol. 2014;157(2):294-300.
- Greco G, Pistilli M, Asbell PA, et al. Association of Severity of Dry Eye Disease with Work Productivity and Activity Impairment in the Dry Eye Assessment and Management Study. Ophthalmology. 2021;128(6):850-856. DOI 10.1016/j.ophtha.2020.10.015 — Greco G, Pistilli M, Asbell PA, et al. Association of Severity of Dry Eye Disease with Work Productivity and Activity Impairment in the Dry Eye Assessment and Management Study. Ophthalmology. 2021;128(6):850-856.
- Farrand KF, Fridman M, Stillman IÖ, et al. Prevalence of Diagnosed Dry Eye Disease in the United States Among Adults Aged 18 Years and Older. Am J Ophthalmol. 2017;182:90-98. DOI 10.1016/j.ajo.2017.06.033 — Farrand KF, Fridman M, Stillman IÖ, et al. Prevalence of Diagnosed Dry Eye Disease in the United States Among Adults Aged 18 Years and Older. Am J Ophthalmol. 2017;182:90-98.
- Chen H, McCann P, Lien T, et al. Prevalence of dry eye and Meibomian gland dysfunction in Central and South America: a systematic review and meta-analysis. BMC Ophthalmol. 2024;24:50. DOI 10.1186/s12886-023-03249-w — Chen H, McCann P, Lien T, et al. Prevalence of dry eye and Meibomian gland dysfunction in Central and South America: a systematic review and meta-analysis. BMC Ophthalmol. 2024;24:50.
- Inomata T, Iwagami M, Nakamura M, et al. Characteristics and Risk Factors Associated With Diagnosed and Undiagnosed Symptomatic Dry Eye Using a Smartphone Application. JAMA Ophthalmol. 2020;138(1):58. DOI 10.1001/jamaophthalmol.2019.4815 — Inomata T, Iwagami M, Nakamura M, et al. Characteristics and Risk Factors Associated With Diagnosed and Undiagnosed Symptomatic Dry Eye Using a Smartphone Application. JAMA Ophthalmol. 2020;138(1):58.
- Yeo S, Poon KH, Tong L. Lost to follow-up for appointments in a dedicated dry eye clinic. Patient Prefer Adherence. 2014;8:1409. DOI 10.2147/PPA.S68147 — Yeo S, Poon KH, Tong L. Lost to follow-up for appointments in a dedicated dry eye clinic. Patient Prefer Adherence. 2014;8:1409.
- Wolffsohn JS, Travé Huarte S, Jones L, et al. Clinical practice patterns in the management of dry eye disease: A TFOS international survey. Ocul Surf. 2021;21:78-86. DOI 10.1016/j.jtos.2021.04.011 — Wolffsohn JS, Travé Huarte S, Jones L, et al. Clinical practice patterns in the management of dry eye disease: A TFOS international survey. Ocul Surf. 2021;21:78-86.
- Waduthantri S, Yong SS, Tan CH, et al. Cost of Dry Eye Treatment in an Asian Clinic Setting. PLoS One. 2012;7(6):e37711. DOI 10.1371/journal.pone.0037711 — Waduthantri S, Yong SS, Tan CH, et al. Cost of Dry Eye Treatment in an Asian Clinic Setting. PLoS One. 2012;7(6):e37711.
- Scheffer M, Moreira JPL, Bahia L, et al. Regional inequalities in the supply of ophthalmologists and the volume of cataract surgeries between the public and private health sectors in Brazil. Arq Bras Oftalmol. 2025;89(1):e20250218. DOI 10.5935/0004-2749.2025-0218 — Scheffer M, Moreira JPL, Bahia L, et al. Regional inequalities in the supply of ophthalmologists and the volume of cataract surgeries between the public and private health sectors in Brazil. Arq Bras Oftalmol. 2025;89(1):e20250218.
- Nau CB, Nau AC, Fogt JS, et al. Patient-Reported Dry Eye Treatment and Burden of Care. Eye Contact Lens. 2024;50(6):259-264. DOI 10.1097/ICL.0000000000001086 — Nau CB, Nau AC, Fogt JS, et al. Patient-Reported Dry Eye Treatment and Burden of Care. Eye Contact Lens. 2024;50(6):259-264.
- Cui D, Mathews PM, Li G, et al. Racial and Ethnic Disparities in Dry Eye Diagnosis and Care. Ophthalmic Epidemiol. 2023;30(5):484-491. DOI 10.1080/09286586.2022.2131834 — Cui D, Mathews PM, Li G, et al. Racial and Ethnic Disparities in Dry Eye Diagnosis and Care. Ophthalmic Epidemiol. 2023;30(5):484-491.
- Castro JS, Selegatto IB, Castro RS, et al. Prevalence and Risk Factors of self-reported dry eye in Brazil using a short symptom questionnaire. Sci Rep. 2018;8:2076. DOI 10.1038/s41598-018-20273-9 — Castro JS, Selegatto IB, Castro RS, et al. Prevalence and Risk Factors of self-reported dry eye in Brazil using a short symptom questionnaire. Sci Rep. 2018;8:2076.
- Pereira LA, Arantes LB, Persona ELS, et al. Prevalence of dry eye in Brazil: Home survey reveals differences in urban and rural regions. Clinics. 2025;80:100578. DOI 10.1016/j.clinsp.2025.100578 — Pereira LA, Arantes LB, Persona ELS, et al. Prevalence of dry eye in Brazil: Home survey reveals differences in urban and rural regions. Clinics. 2025;80:100578.
- Marculino LGC, Hazarbassanov RM, Hazarbassanov NGTQ, et al. Prevalence and risk factors for dry eye disease: the Sao Paulo dry eye study. Arq Bras Oftalmol. 2022;85(6):549-557. DOI 10.5935/0004-2749.202200100 — Marculino LGC, Hazarbassanov RM, Hazarbassanov NGTQ, et al. Prevalence and risk factors for dry eye disease: the Sao Paulo dry eye study. Arq Bras Oftalmol. 2022;85(6):549-557.
Transparência
Conflitos de interesse / disclosures
- Financiamento
- Sem financiamento externo.
- Conflitos de interesse
- O autor declara não possuir vínculo com fabricantes de dispositivos, fármacos ou tecnologias citados neste artigo.
- Uso de inteligência artificial
- Houve assistência de IA na reorganização editorial, na revisão linguística e na conferência bibliográfica das referências contra Crossref e PubMed. A IA não foi tratada como fonte; as afirmações e referências foram verificadas pelo autor.
- Revisão
- Este artigo não passou por revisão independente por pares. Ver o selo editorial no topo da página.
- Aprovação ética
- Não se aplica: revisão narrativa sem dados individuais ou imagens identificáveis.