Análise editorial
Por que importa
A fila da catarata e da refrativa ainda opera no filme instável. “Dói o olho?” não identifica quem vai errar a ceratometria. Duas semanas de lágrima não têm âncora de acurácia de LIO nesta lista. Prehab é tratar a superfície visualmente significativa, re-medir quando o K repetir, e avisar o que a cirurgia também cria. Não é vitrine de aparelho. Não é lista de colírio.
Gupta e colaboradores (2018): 80% com pelo menos um teste anormal; 85% dos assintomáticos também anormais. O PHACO de Trattler e colaboradores (2017): coloração em 77%; TBUT ≤ 5 s em 63%; cerca de 60% nunca relataram corpo estranho. Cochener e colaboradores (2018): DGM em 52%, metade assintomática.
Epitropoulos e colaboradores (2015), hiperosmolaridade > 316 versus < 308: mais variação de K, astigmatismo ≥ 1 D, troca de LIO > 0,5 D. O autorrelato não separa. Os cortes 316/308 são do estudo — não são os 308 / Δ8 do DEWS III.
Woodward e colaboradores (2009): DED em 15% do embaçamento em LIO premium; PCO e ametropia lideram. Donnenfeld e colaboradores (2010): ciclosporina perioperatória e acuidade/contraste. Gomes e colaboradores (2017) mapeiam o iatrogênico. Hovanesian e colaboradores (2020) medem 28 dias. SMILE menor que LASIK não é zero (Denoyer; Kobashi).
Análise editorial
Método e recorte
Este artigo é uma revisão narrativa. Não constitui diretriz nacional nem prescrição individual.
As referências foram conferidas no Crossref em 15 de agosto de 2026. Autor e título precisaram bater com o registro persistente antes de entrar na lista. Quatorze de quatorze DOIs resolvidos.
Data de corte da busca: 15 de agosto de 2026.
Evidência
Evidência
Starr e colaboradores (2019) organizam o mapa ASCRS — look, listen, lock. É consenso, não ensaio.
Epitropoulos e colaboradores (2015), n = 75: p = 0,05 / 0,02 / 0,02 para variação de K, astigmatismo ≥ 1 D e troca de LIO > 0,5 D. Há conflito com o osmômetro.
Gupta e colaboradores (2018), 120 pacientes: osmolaridade 56,7%; MMP-9 63,3%; coloração 39,2%; 80% com pelo menos um teste anormal e 40% assintomáticos no recorte do exame.
Trattler e colaboradores (2017), 136 pacientes: coloração central 50%; Schirmer ≤ 5 em 18%.
Hovanesian e colaboradores (2020), 100 olhos, 28 dias de lifitegrast 5% duas vezes ao dia: erro esférico ≤ 0,25 de 47 para 50; ≤ 0,50 de 71 para 79; ≤ 0,75 de 81 para 91; p < 0,04. Aberto, sem controle.
Donnenfeld e colaboradores (2010), n = 14 / 28, ReZoom, ciclosporina versus lágrima de 1 mês antes a 2 meses depois: preferência 57% versus 14%.
Woodward e colaboradores (2009), 43 olhos: PCO 54%; ametropia 29%; DED 15%. Conduta conservadora em 81%; troca em 7%.
Cochener e colaboradores (2018), 342 pacientes / 180 no recorte de imagem: DGM 52%; atrofia 56%.
Gomes e colaboradores (2017) descrevem o olho seco iatrogênico do DEWS II.
De Paiva e colaboradores (2006), n = 35, LASIK com microcerátomo: cerca de 50% na primeira semana; 12–35% aos 6 meses.
Toda (2018) revisa o olho seco após LASIK.
Chao e colaboradores (2014): quase metade após LASIK; o eixo é neural.
Denoyer e colaboradores (2015), 30 versus 30, aos 6 meses: escore 1,2 ± 1,1 versus 0,2 ± 0,4.
Kobashi e colaboradores (2017), metanálise de 5 ensaios: TBUT, OSDI e sensibilidade melhores no SMILE; Schirmer e osmolaridade sem diferença. Sem pódio com PRK. IPL como prehab: só protocolo até 15 de agosto de 2026.
Aplicação
Prática
Não operar o filme instável. Adiar a biometria. Quem entra no prehab é a superfície ocular visualmente significativa.
Cerca de quatro semanas e re-medir. Filme sem conservante. Inflamação: lifitegrast quando o alvo é acurácia; ciclosporina quando o alvo é qualidade. Margem: higiene e expressão. IPL cabe numa linha. Re-medir quando o K repetir.
Em LIO premium, DED tratável não é a causa mais comum de insatisfação. Na refrativa, selecionar e avisar. SMILE menor que LASIK; não é zero. PRK sem ranking. Dor desproporcional pode ser neural. No pós-operatório, reduzir conservante.
- Não perguntar só. Testar. Autorrelato não prediz K instável.
- Não operar no filme que não repete.
- Quatro semanas e re-medir. Duas semanas de lágrima não têm âncora.
- Premium: tratar superfície. PCO e residual lideram a insatisfação.
- SMILE < LASIK. Não é zero. Sem pódio com PRK.
- IPL como prehab: sem desfecho de acurácia de LIO nesta lista — ver “Três meses não são doze” para a evidência de IPL em olho seco.
Limitações
Limitações
Starr é consenso. Epitropoulos é n = 75. As coortes são dos Estados Unidos e da França. Hovanesian é aberto. Donnenfeld é n = 14, com LIO antiga. Woodward é série. De Paiva é n = 35. Denoyer não é ensaio. Kobashi é heterogêneo. Não há ensaio de 2 versus 4 versus 8 semanas. Não há head-to-head de classe com desfecho de LIO. O mapa ASCRS não foi validado no Brasil. Não há prevalência brasileira nesta lista. IPL como prehab é só protocolo.
- Sem RCT de implementação do mapa ASCRS.
- Sem âncora para duas semanas de lágrima.
- Sem pódio PRK–LASIK–SMILE.
- Sem catálogo de aparelho. Sem lista ANVISA.
- Sem recap DEWS III. Sem escada terapêutica.
Fontes
Referências
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