RADAR Científico
Dor crônica da superfície, defeito epitelial e o custo de não separar mecanismos
O ciclo anterior ao de agosto organizou três frentes que o consultório já encontra sem nomeá-las: a dor crônica da superfície que se comporta como condição nociplástica, o defeito epitelial persistente como problema de recurso e não só de colírio, e o olho seco que aparece depois de cirurgia palpebral estética. Em todos os casos, o texto precisa dizer o tamanho da evidência — revisão narrativa, série retrospectiva, associação observacional — para não transformar hipótese em conduta.
O que mudou neste ciclo
Destaques
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Dor crônica da superfície cabe no vocabulário das dores sobrepostas
Por que importa: Ajuda a ler a dissociação entre sintoma e sinal sem reduzir o relato a “olho seco que não fecha”.
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Defeito epitelial persistente consome tempo e visita no sistema público
Por que importa: Mostra o custo de protocolos longos e a necessidade de comparar alternativas com n pequeno e desenho retrospectivo à vista.
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Blefaroplastia de incisão completa se associa a DGM e piscada incompleta no curto prazo
Por que importa: Orienta a conversa perioperatória: o procedimento estético pode alterar o filme lacrimal por semanas, sem provar dano permanente.
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Ivermectina na blefarite por Demodex ainda não tem regime padronizado
Por que importa: Organiza o que os relatos mostram — queda de densidade e de cilindros — e o que falta: protocolo, prazo e comparação com lotilaner.
Achados por seção editorial
A leitura completa
Cada entrada traz fonte original, nível de evidência e o que ela muda — ou não muda — na prática.
Fenotipagem da doença do olho seco
Revisão narrativa
Chronic Ocular Surface Pain: A Missing Member of the Chronic Overlapping Pain Conditions?
Drugs · 10/06/2026
Revisão narrativa de Chang, Hattenhauer, Saccaro, Mamatkazina, Felix, De Lott e Galor sobre dor crônica da superfície ocular (mais de três meses) no quadro das dez condições de dor crônica sobrepostas. Argumenta que um subconjunto compartilha predominância feminina, agrupamento com outras dores nociplásticas e persistência após anestesia tópica.
Por que importa para a prática: Oferece vocabulário para a dissociação sintoma–sinal sem transformar a revisão em critério diagnóstico novo. A proposta de “11ª condição” é hipótese de enquadramento, não classificação adotada.
Tecnologias diagnósticas e terapêuticas
Série retrospectiva / n = 30
Management of ocular surface disease involving inflammation and persistent epithelial defects utilising various treatment modalities in the UK National Health Service (NHS)
Eye · 04/06/2026
Série retrospectiva de 30 pessoas com defeito epitelial persistente em dois centros do NHS. O manejo convencional fechou o defeito em 57%, com duração média de 176 ± 188 dias e cerca de 10 consultas ambulatoriais por caso. Tarsorrafia (83%) e membrana amniótica (34%) foram frequentes. A comparação com matriz amniótica sem sutura veio de dados agrupados de estudos anteriores nos mesmos centros, não de randomização.
Por que importa para a prática: Mostra o peso operacional do PED. Os números de custo e de cura da alternativa não vêm do mesmo ensaio; n = 30 e desenho retrospectivo limitam qualquer generalização.
Superfície ocular perioperatória
Observacional / associação de curto prazo
The Impact of Full-Incision Double-Eyelid Blepharoplasty on Dry Eye: Association with Short-Term Meibomian Gland Dysfunction and Increased Incomplete Blinking
Aesthetic Plastic Surgery · 12/06/2026
Estudo observacional de Pan e Chen associando blefaroplastia de incisão completa para pálpebra dupla a disfunção das glândulas de Meibômio e aumento de piscadas incompletas no período curto após a cirurgia.
Por que importa para a prática: Útil para a conversa perioperatória e para não atribuir automaticamente o desconforto pós-operatório a “olho seco de sempre”. Associação de curto prazo, não prova de dano estrutural permanente.
Farmacologia e pipeline
Revisão narrativa
Ivermectin in the Management of Demodex-associated Blepharitis: A Comprehensive Literature Review
Eye & Contact Lens · 01/07/2026
Revisão narrativa de Buzzi, Sponga, Angheben, Carnicci, Giansanti e Mencucci sobre ivermectina tópica e oral na blefarite associada a Demodex. Sintetiza ensaios, séries e relatos até novembro de 2025: em geral houve queda da densidade do ácaro, dos cilindros e de alguns sintomas, com eventos adversos pouco frequentes e leves. Os próprios autores pedem regimes padronizados e acompanhamento longo.
Por que importa para a prática: Organiza o que já existe sem promover um protocolo. Não substitui o lote aprovado para Demodex nem define dose, duração ou critério de cura.
Transparência
Como este relatório foi montado
Este RADAR priorizou itens com DOI conferido no Crossref e resumo público. Nenhuma entrada é publicada sem fonte original. Onde o desenho for revisão narrativa ou série pequena, o nível de evidência diz isso no próprio card.
Curadoria e revisão editorial: Dr. Philipe Saraiva Cruz — CRM-MG 69.870 · RQE 71.903.
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