Diagnóstico
Meibografia: o que a imagem das glândulas mostra
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O que o exame procura mostrar
A meibografia mais usada no consultório emprega luz infravermelha com a pálpebra virada. As glândulas de Meibomius aparecem como colunas claras, muitas vezes com um padrão que lembra cacho de uva.
A leitura procura distribuição, encurtamento, tortuosidade, dilatação e áreas em que o tecido glandular não fica visível — o que a literatura costuma chamar de dropout ou perda glandular. É um retrato da estrutura, não uma medida completa da função.
Na meibografia infravermelha, as glândulas da pálpebra superior virada aparecem como colunas claras, com um padrão que lembra cacho de uva. A imagem registra estrutura, não a qualidade da secreção.
Hwang HS et al. — PLoS ONE, 2013, fig. 4 · CC BY 4.0 · Conversão do TIFF original para JPEG, AVIF e WebP e redimensionamento. Sem recorte.Infravermelho e OCT não são a mesma imagem
A meibografia infravermelha é uma foto de frente: mostra a pálpebra inteira, sem informação de profundidade. O OCT da pálpebra evertida faz cortes e, em pesquisa, pode reconstruir um volume.
Isso não é o mesmo exame que o AS-OCT do menisco lacrimal, usado para medir a faixa de lágrima junto à pálpebra inferior. Um estudo de Hwang e colaboradores (2013) reconstruiu volumes de OCT em 2 voluntários e 7 pacientes com disfunção das glândulas de Meibomius. Nos voluntários, os ácinos ficaram mais nítidos do que na foto infravermelha.
O mesmo trecho em volume de OCT (A) e na foto infravermelha (B). O retângulo marca o campo de 5 × 2 mm: neste estudo, o OCT 3D acrescenta detalhe de ácino, mas não cobre a pálpebra inteira.
Hwang HS et al. — PLoS ONE, 2013, fig. 6 · CC BY 4.0 · Conversão do TIFF original para JPEG, AVIF e WebP. Sem recorte.O que a imagem não responde
O DEWS III confirma doença do olho seco com sintomas mais um signo de perda de equilíbrio das lágrimas ou da superfície. A meibografia não entra nesse critério. Ela ajuda a subclassificar o eixo da pálpebra, quando a imagem foi bem adquirida.
- não mede, sozinha, se a glândula ainda consegue secretar;
- não distingue atrofia de oclusão;
- não fecha o diagnóstico de olho seco;
- não indica, isolada, um procedimento ou um aparelho;
- pode mudar de contraste logo após uma expressão da pálpebra.
Como a imagem entra na conversa
Pergunte quais pálpebras foram fotografadas, se a aquisição estava nítida e se o exame foi feito antes ou depois de expressar as glândulas. Vale também perguntar o que a imagem mudou — ou não mudou — no plano.
A higiene palpebral e o calor local confortável continuam sendo a base do cuidado na disfunção das glândulas de Meibomius. A foto não substitui essa rotina e não prediz, sozinha, quem vai se beneficiar de um procedimento.
Fontes deste guia
As fontes abaixo ajudam a sustentar e contextualizar o conteúdo. Os links abrem os materiais originais.
- Hwang et al. In Vivo 3D Meibography of the Human Eyelid Using Real Time Imaging Fourier-Domain OCT. PLoS ONE, 2013.
- Arita et al. Noncontact Infrared Meibography to Document Age-Related Changes of the Meibomian Glands in a Normal Population. Ophthalmology, 2008.
- TFOS DEWS III — metodologia diagnóstica
- Pult e Nichols. A Review of Meibography. Optom Vis Sci, 2012.