Tratamentos
Lubrificantes, géis e pomadas: perguntas úteis
Neste guia Começar
O que muda entre as formulações
Lubrificantes podem variar em viscosidade, tempo de permanência, componentes lipídicos, osmolaridade e sistema de conservação. Um produto mais espesso pode durar mais, mas também embaçar temporariamente a visão.
Géis e pomadas costumam permanecer por mais tempo e, por isso, podem ser usados em contextos diferentes das gotas mais fluidas.
Lubrificantes variam em viscosidade. O mais espesso tende a permanecer mais tempo na superfície, mas também pode embaçar a visão temporariamente.
Por que os conservantes importam
Conservantes ajudam a reduzir contaminação em frascos multidose, mas algumas pessoas apresentam irritação, especialmente com uso frequente ou superfície ocular mais sensível. Existem sistemas de conservação diferentes e apresentações sem conservantes.
Cuidados de segurança
- lave as mãos antes de usar;
- não encoste a ponta do frasco nos cílios ou no olho;
- não compartilhe produtos;
- observe validade e prazo após abertura;
- se houver dor, secreção, inchaço ou piora visual, interrompa e procure orientação.
O que cada tipo de ingrediente costuma fazer
Uma revisão sobre a composição dos lubrificantes descreve grupos de ingredientes com papéis distintos. Agentes de viscosidade aumentam o tempo de permanência na superfície. Componentes lipídicos atuam sobre a camada mais externa do filme e interessam mais quando o problema é evaporativo.
Eletrólitos e osmoprotetores buscam se aproximar da composição natural da lágrima e amortecer o efeito de uma lágrima concentrada demais. Já os surfactantes ajudam a espalhar a fórmula.
Conservantes e frequência de uso
O conservante mais estudado é o cloreto de benzalcônio (BAK). Estudos laboratoriais e de modelo animal mostram que ele desestabiliza o filme lacrimal e reduz as células caliciformes da conjuntiva, e há descrição de acúmulo nos tecidos com uso prolongado.
Por isso, consensos internacionais recomendam evitar lubrificantes com BAK em quem precisa pingar muitas vezes ao dia ou usa outros colírios de forma contínua, como no glaucoma. Para uso ocasional, a questão pesa menos.
Se você usa lentes de contato
Uma revisão sobre compatibilidade entre lubrificantes e lentes de contato conclui que gotas sem conservantes são a escolha preferencial para pingar com as lentes nos olhos. Quando houver conservante, formulações com BAK e timerosal são as que a revisão recomenda evitar.
Nem todo lubrificante é feito para ser usado com a lente colocada. A bula informa isso, e vale conferir antes.
Perguntas para escolher com critério
- Qual problema esta formulação pretende aliviar?
- A viscosidade combina com minhas atividades?
- Há conservante e isso importa para minha frequência de uso?
- Posso pingar com a lente de contato nos olhos?
- Como combinar com outros produtos oculares?
- Que sinais indicam que devo trocar de estratégia?
Fontes deste guia
As fontes abaixo ajudam a sustentar e contextualizar o conteúdo. Os links abrem os materiais originais.
- TFOS DEWS III — manejo e tratamento
- National Eye Institute — Dry Eye
- Labetoulle et al. Artificial tears: biological role of their ingredients in the management of dry eye disease. Int J Mol Sci, 2022.
- D'Andrea et al. Is it time for a moratorium on the use of benzalkonium chloride in eyedrops? Br J Clin Pharmacol, 2022.
- Pucker. A review of the compatibility of topical artificial tears and rewetting drops with contact lenses. Contact Lens Anterior Eye, 2020.