Épifora descreve o sintoma, não a causa
Épifora é o nome usado para lacrimejamento anormal, sobretudo quando as lágrimas se acumulam ou transbordam para as pálpebras e o rosto. A palavra não significa automaticamente que exista um canal obstruído.
O volume de lágrimas percebido resulta do equilíbrio entre produção, distribuição pelas piscadas, evaporação e drenagem. Uma alteração em qualquer uma dessas etapas pode deixar o olho aguado, e mais de um mecanismo pode coexistir.
Como o olho seco pode provocar lacrimejamento
Quando a superfície ocular fica ressecada ou irritada, os nervos podem estimular uma resposta reflexa da glândula lacrimal. Vento, frio, fumaça, telas, alteração das pálpebras, cílios e inflamação também podem ativar essa resposta.
Essas lágrimas adicionais podem escorrer sem formar uma película estável entre as piscadas. Por isso, ardor, sensação de areia, visão que oscila e lacrimejamento podem aparecer juntos.
Alergia, infecção, lesão da córnea, conjuntivocálase e outros problemas da superfície também causam lacrimejamento. A presença de lágrimas abundantes não confirma nem exclui olho seco.
O caminho normal das lágrimas
Depois de espalhadas pelas piscadas, as lágrimas formam um pequeno reservatório junto à pálpebra inferior, chamado menisco lacrimal. Elas entram pelos pontos lacrimais, pequenas aberturas no canto interno das pálpebras superior e inferior.
Dos pontos, seguem pelos canalículos até o saco lacrimal e depois pelo ducto nasolacrimal, que termina dentro do nariz. O movimento das pálpebras e do músculo ao redor dos olhos ajuda a funcionar como uma bomba.
Pontos fora de posição, pálpebras frouxas ou viradas, piscadas ineficientes, estreitamentos e obstruções em diferentes trechos podem reduzir o escoamento mesmo quando a produção de lágrimas é normal.
A glândula lacrimal participa da produção; as piscadas distribuem as lágrimas; pontos e canalículos conduzem o líquido ao saco lacrimal e ao canal nasolacrimal.
Jmarchn — Wikimedia Commons · CC BY-SA 3.0 · Conversão do SVG para formatos raster, fundo branco e redimensionamento.Padrões úteis para relatar
Lacrimejamento reflexo costuma acompanhar irritação e gatilhos ambientais, enquanto transbordamento persistente de um lado pode aumentar a suspeita de drenagem reduzida. Esses padrões se sobrepõem e não substituem o exame.
- se começou de repente ou aos poucos e se ocorre em um ou nos dois olhos;
- se acontece somente no vento, frio, fumaça, telas ou também dentro de casa;
- se as lágrimas ficam acumuladas ou chegam a escorrer pelo rosto;
- se há ardor, coceira, sensação de areia, visão oscilante ou sensibilidade à luz;
- se existe secreção, crostas ou inchaço doloroso perto do canto interno;
- se houve trauma, cirurgia, radioterapia, uso de colírios ou alteração facial;
- se varia com a posição das pálpebras ou com algum movimento facial.
O que é observado antes dos testes
A avaliação começa pela superfície ocular, pelos cílios e pela córnea. Também observa posição e firmeza das pálpebras, fechamento, piscadas, pontos lacrimais, altura do menisco e eventual refluxo ou secreção.
Esse passo é importante porque uma via aberta não resolve lacrimejamento causado por irritação, e tratar apenas a superfície pode não resolver um estreitamento ou falha da bomba lacrimal.
- superfície e estabilidade do filme lacrimal;
- pálpebras, cílios, piscadas e posição dos pontos lacrimais;
- acúmulo de lágrimas e comparação entre os olhos;
- região do saco lacrimal e interior do nariz quando indicado.
O que os testes de drenagem podem mostrar
No teste de desaparecimento da fluoresceína, uma pequena quantidade de corante é colocada nas lágrimas e se observa quanto permanece após um intervalo. Retenção pode sugerir escoamento mais lento, mas o teste não localiza sozinho o ponto do problema.
Na sondagem e irrigação, uma equipe habilitada avalia resistência, refluxo e passagem de líquido ao longo da via. O teste pode ajudar a localizar bloqueios, mas a passagem de líquido não garante que o sistema drene normalmente durante a rotina.
Quando história, exame e irrigação não explicam o sintoma, exames selecionados podem mapear a anatomia ou o trânsito. A dacriocistografia usa contraste para mostrar o trajeto; a dacriocintilografia acompanha o deslocamento de uma pequena quantidade de marcador radioativo. Endoscopia nasal ou outras imagens são reservadas a perguntas específicas.
AS-OCT pode medir altura, área ou volume do menisco lacrimal, porém não percorre sozinho toda a via de drenagem até o nariz.
O cuidado depende do mecanismo
Quando predomina lacrimejamento reflexo, o objetivo é identificar e reduzir a irritação da superfície. Alterações das pálpebras e da bomba lacrimal precisam de uma estratégia própria. Se há estreitamento ou obstrução, a localização e a repercussão orientam quais opções podem ser discutidas.
Plugue lacrimal e cauterização reduzem intencionalmente a drenagem para conservar lágrimas em alguns contextos de olho seco. Eles não devem ser tratados como solução automática quando já existe épifora ou quando a causa do lacrimejamento ainda não foi esclarecida.
Não tente sondar, irrigar ou pressionar repetidamente a região em casa. O portal não recomenda antibiótico, colírio ou procedimento com base apenas no sintoma.
Quando o lacrimejamento pede avaliação rápida
Dor forte, mudança visual, sensibilidade importante à luz, trauma, produto químico, objeto preso ou olho muito vermelho precisam de avaliação rápida, mesmo que o lacrimejamento seja o sintoma mais evidente.
Inchaço doloroso junto ao canto interno do olho, especialmente com secreção ou febre, pode indicar inflamação ou infecção do saco lacrimal e também não deve esperar.
Fontes deste guia
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Links verificados em 26 de julho de 2026.